sábado, 14 de março de 2009

Saudosismo meu.


Ela surge...nos chega com um vento forte, que não é vendaval nem brisa.Mas que tranquilamente remexe os papeis da mesma, levanta a toalha da cozinha e balança o cabelo da moça.
Faz tudo isso por dentro...tirando do eixo coração e mente, te leva pra longe, move o tempo...
não deixa segundo sem acontecimento e se constroi mesmo, nos detalhes, nas coisas e nos momentos em que nem todo mundo percebeu determinado fato...mas também pode se construir de maneira coletiva apesar de ser tão individual, ser tão sua e ser só minha...
pode vir em forma de papel,letra,foto, escrita, musica, cor, cidade, paizagem...
Se enraiza...mas não cria laços,vive dos que já foram criados.Sobrevive na ótica de cada um...não há quem não carregue um pouco dela na mente...mesmo o mais durão que jamais admitiria, nos seus momentos de solidão coletiva sabe reconhece-la dentro de si.
O fundamental ''problema" não é possui-la e sim administra-la...saber por que se faz tão presente se não cria vida!?
Pra que me serve?!se não ocupa lugar...mas deixa vazio.
Ora é dor ora é alegria, a uns choro a outros fantasia...as vezes acho que se trata de uma pobre vadia, de vida perdida que nos acha e nos toma de repente... no entanto as vezes me pego amando-a quando retorno contente.
Mas entre tantos adjetivos e sentimentos,creio que pra sempre a duvida viverá no presente...
O que faço meu amigo com essa saudade valente que carrego no peito?!
De que me servem as recordações se não, para serem meras formas de me provarem que vivi o passado?!
Saudade doi e faz barulho na alma.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Identidade.

Auto descrições em sua grande parte são medíocres.Por se tratar de algo feito do indivíduo para um público. Nem sempre é abordado o que realmente precisa ser dito, para que o leitor reconheça ou passe a conhecer melhor a figura que ali depositou palavras.
O que na maioria das vezes nos diferencia... O que realmente merecia ser dito numa descrição, não cabe ali e nem pode ser reconhecido por extenso.
Vivi (não sei se posso usar realmente esse verbo no tempo passado.) a muitos anos a sombra de meus cabelos, não aceitava o fato de prende-los e eles se sentirem como soltos,de ter a cabeça avolumada por madeichas que simplismente não atendiam a ordem do arrumado.
Enquanto minhas amiguinhas faziam parte do rall das pricesas lindas e com finais felizes eu era a cahinhos dourados...a que entrava na casa da familia urso de intrusa, comia a papa deles como ladra, quebrava a cadeira do filhote urso como vândala, era pega no flagra e ia embora com o retorno da familia à sua casa , sem nem ao menos pedir desculpas.Uma historia, que de conto de fadas não tem nem o nome " cacinhos dourados e os três ursos"...mas de quem se trata essa "princesa" no mundo do faz de conta?! Uma figurante!?Até nisso eu me sentia em desvantagem...
Uma vida ouvindo sempre alguem cantar a música que acompanha a propaganda johnson...sim "eu nasci com o cabelo enrroladinho..." Mas isso não me obriga a gostar de ouvir repetidas vezes a mesma vinheta e de ter meu cabelo (mais) bagunçado pelos puxões em que meus cachos são submetidos enquanto a mesma era cantada.
E de tanto fazer parte da minha vida...começou a fazer parte de mim, me reconhecer...e me espelhar pra enfrentar essa vida que tanto dá voltas mas que nem sempre volta ao mesmo lugar, bagunçar idéias erradas e tranforma-las em certas, reviver, pra ver que noutro angulo...as coisas são bem diferentes, emaranhar sentimentos e tranborda-los cada um no seu momento...e por que não todos de uma vez?!esconder-se ou as vezes mostrar-se por traz desses cabelos.
Pois de tanto relutar mas mesmo assim conviver, sinto que o volume desordenado das curvas que trago na cabeça são parte da minha identidade, faz com que eu me aceite e de certa forma, nos dias em que acordam com pena de sua dona...até fico feliz por ter-los comigo.

"Uma historia pra contar de um mundo tão distante..."

- Eu não diria tão distante assim meu caro rei....