sexta-feira, 13 de março de 2009

Identidade.

Auto descrições em sua grande parte são medíocres.Por se tratar de algo feito do indivíduo para um público. Nem sempre é abordado o que realmente precisa ser dito, para que o leitor reconheça ou passe a conhecer melhor a figura que ali depositou palavras.
O que na maioria das vezes nos diferencia... O que realmente merecia ser dito numa descrição, não cabe ali e nem pode ser reconhecido por extenso.
Vivi (não sei se posso usar realmente esse verbo no tempo passado.) a muitos anos a sombra de meus cabelos, não aceitava o fato de prende-los e eles se sentirem como soltos,de ter a cabeça avolumada por madeichas que simplismente não atendiam a ordem do arrumado.
Enquanto minhas amiguinhas faziam parte do rall das pricesas lindas e com finais felizes eu era a cahinhos dourados...a que entrava na casa da familia urso de intrusa, comia a papa deles como ladra, quebrava a cadeira do filhote urso como vândala, era pega no flagra e ia embora com o retorno da familia à sua casa , sem nem ao menos pedir desculpas.Uma historia, que de conto de fadas não tem nem o nome " cacinhos dourados e os três ursos"...mas de quem se trata essa "princesa" no mundo do faz de conta?! Uma figurante!?Até nisso eu me sentia em desvantagem...
Uma vida ouvindo sempre alguem cantar a música que acompanha a propaganda johnson...sim "eu nasci com o cabelo enrroladinho..." Mas isso não me obriga a gostar de ouvir repetidas vezes a mesma vinheta e de ter meu cabelo (mais) bagunçado pelos puxões em que meus cachos são submetidos enquanto a mesma era cantada.
E de tanto fazer parte da minha vida...começou a fazer parte de mim, me reconhecer...e me espelhar pra enfrentar essa vida que tanto dá voltas mas que nem sempre volta ao mesmo lugar, bagunçar idéias erradas e tranforma-las em certas, reviver, pra ver que noutro angulo...as coisas são bem diferentes, emaranhar sentimentos e tranborda-los cada um no seu momento...e por que não todos de uma vez?!esconder-se ou as vezes mostrar-se por traz desses cabelos.
Pois de tanto relutar mas mesmo assim conviver, sinto que o volume desordenado das curvas que trago na cabeça são parte da minha identidade, faz com que eu me aceite e de certa forma, nos dias em que acordam com pena de sua dona...até fico feliz por ter-los comigo.

"Uma historia pra contar de um mundo tão distante..."

- Eu não diria tão distante assim meu caro rei....